21.5.13

Após o avanço para atrás, Brasil inventa o boato com fonte e pleonasmo

A Agulha Hipodérmica e o Manual de enganação. Como iludir a todos, mentindo o tempo todo. Até com boatos

O Brasil inovador do século XXI, que inventou os avanços para trás, retornando à época de colônia, fornecedor de matéria prima, loteando seu território, com população desinformada, submisso, educação forjada, Acaba de inventar mais uma.

Os intelectos e misteriosos "especialistas" criaram o boato com fonte, pleonasmo com a agulha hipodérmica.

Harold Lasswell
O boato sobre o fim do Programa Bolsa Família, cujo embrião remonta ao Governo do Presidente Ernesto Geisel, só tem um beneficiado. O doador, mesmo que seja com chapéu alheio.

No estudo da comunicação há vários subconjuntos. Boatos e propaganda são alguns deles, e intrinsecamente ligados ou interligados. No bom e popular português. Com tudo a ver.

Em 1927, Harold Lasswell, pioneiro nos estudos sobre propaganda, em seu sentido de controle da opinião por simbologias, definiu os primeiros conceitos, incluindo o boato como arma de controle e manipulação das massas, usando a mídia para reforçá-lo. Seu modelo de comunicação, em síntese é quem diz o quê a quem, por que canal e com que efeito.

Arma indispensável para governantes manipular


De acordo com Lasswell, pode se definir a propaganda como a técnica de influenciar a ação humana pela manipulação das representações, simbologias, por boatos, rumores, relatos, imagens e outras formas de comunicação social.

Para ele, a propaganda é arma indispensável para governantes manipular e controlar a opinião pública. Isto é, fundamental para gerar, criar, angariar apoio das massas ao governo.

Os estudos de Lasswell ocorreram em momento de grandes perturbações política, social e econômica e, por consequência, pelo surgimento de regimes totalitários em várias partes do mundo e o início de grandes conflitos, como 10 anos depois, com a II Grande Guerra, onde o boato foi arma mortal e seus estudos foram de grande valia na manipulação, na desinformação, nas táticas, usados para confundir.

Agulha hipodérmica


Suas teorias foram logo apelidadas de agulha hipodérmica. Tem como princípio o imenso poder dos meios de comunicação sobre as massas. A teoria hipodérmica parte da ideia behaviorista (comportamento, conduta por meio de estímulo) de que a toda resposta corresponde um estímulo, pois não há resposta sem estímulo, ou estímulo sem resposta. (Vide os cães de Pavlov).

Os indivíduos são estudados e compreendidos de acordo com suas reações aos estímulos recebidos. Depois, claro, manipulados, usados, abusados, imbecilizados ... Embolsados etc..

A Arte da Guerra, com propaganda


Um dos mais importantes trabalhos de Lasswell foi Propaganda technique in world war, (em inglês) de 1927, onde desenvolve o conceito de propaganda na guerra. Uma espécie de A Arte da Guerra, com propaganda, boatos etc..

Outra importante obra é Mass Communication Research, centra-se em dois pontos concretos: os efeitos das mensagens midiáticas e a análise de conteúdo para descobrir as razões da influência direta total sobre as audiências, então atribuídas aos mídias e a teoria linear da agulha hipodérmica (um modelo direto de causa e efeito) que procurava trabalhar a forma mais eficaz de influenciar as massas.


"Propaganda", nesse caso, tem sentido bem mais abrangente do que aquilo que conhecemos por "comerciais". Vai além, muito além. Trata-se da difusão de concepções, idéias, ações, atitudes por meio dos sistemas de comunicação de massa (rádio, jornal, TV, cinema, revista) e, claro, boatos. Muitos boatos, que engrossa a difusão de idéias pelos meios, digamos, "informacionais". Na indústria do entretenimento, nisso a que chamam de ensino, "cultura", livros didáticos, apresentadores de rádio e TV etc..

Manual de enganação num País que vai pra trás


No resumo da ópera, trata-se de estudos e pesquisas que dimanaram num manual de enganação. Como iludir a todos, mentindo o tempo todo. Até com boatos. Anestesiar.

E isso tem sido largamente usado por todos os governos, incluindo aqueles que comandam esse, que é um País que vai pra trás. A desinformação, o ensino de mentirinha, a mídia amestrada, colaboram enormemente, sobretudo pelo amadorismo do preparo.

No caso do Bolsa Família, até o pleonástico "boato falso", vociferado (aos berros?) pela mandatária, entrou nessa lata de lixo em que se transformou a comunicação.
E a submissão e conluio são tão descarados que, à noite, algumas emissoras de rádio (pelo menos) editaram o discurso da mandatária e cortaram o termo "boato falso". Ficou só o boato. E não é boato, eu ouvi o antes e o depois.


O bilhetinho... Só a mídia 'acreditou' no acaso...
Contaram-me que o 'me disseram' é o agente transmissor de 99% das notícias do comum, reportagem dos jornais-falados cotidianos, mantidos nas ruas pela força redatorial do anonimato, a rádio peão, reforçada pelos espaços livres, libertários e libertinos da cibernética...

E com tantas espertezas de plantão, logo o governo não saberia disso?

Bem antes de Lasswell Voltaire já estava atento a isso.

Quando  perguntaram-lhe sobre o princípio de uma notícia, respondeu:

– Não estou bem certo porque me disseram… E Voltaire nem sonhava com internet...

Contam que consta que para Cândido de Figueiredo, o me disseram é o habeas-corpus da vaguidade da fonte originária informativa e dentro dessa irresponsabilidade espolia-se, livre, a imaginação solta do narrador, é, pois, do domínio psicológico, um elemento de clara e nítida força...

E ele disse mais: sustentados pela pujança seivosa da inventiva sem possibilidade do ônus da prova, ninguém exige a documentação nem as credencias do depoente interessado na divulgação gratuita...

Mas alguns lucram, e muito


E quem é o mais interessado nessa divulgação gratuita? Quem? Quem? Quem?
Seria por acaso  algum governo que no populismo irresponsável manipula a informação?

Seria por acaso algum governo que no populismo irresponsável manipula a população?

Seria por acaso algum governo que no populismo irresponsável distribui bolsa merreca para manter o cabrestão?

Seria por acaso, algum governo que no populismo irresponsável distribui bolsas para desocupados e importa para obras, a mão?

Seria por acaso algum governo que no populismo irresponsável tentando justificar-se perante a opinião pública cansada de tanta exploração?

Seria por acaso algum governo que no populismo irresponsável pensa apenas no agora, na reeleição e jamais no futuro da Nação?

Seria por acaso algum governo de populismo irresponsável que com seus avanços pra trás reedita os tempos dos dois efes de Gregório, um de furtar e outro de foder?

Ou nada disso existe e são apenas boatos?


Se o boato "é falso" como bradou e rebradou a mandatária, teria sido um teste para saber da reação no curral eleitoral para um fim das bolsas mamatas?

Seria uma ideia aloprada, de uma ministra aloprada, para um Governo aloprado, usando as teorias alopradas?

Seria uma forma de fazer-se de vítima, de magnânima, de mãe dos pobres, enquanto a oposição é a madrasta ruim, que quer acabar com a bolsa minas tetas um dia secam?

Boato falso não existe, senhora. Existe esperteza. Existem boatos. E boato é uma arma poderosa, serve muito bem para desviar o foco. Por exemplo, vigia o Bolsa aqui, médicos cubanos entram por ali...

E não é boato - além dos esperto oficiais - existem esperto amadores, que também estudam e observam a comunicação.

 “Na boca de quem não presta quem presta não vale nada.”. 

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Que é isto, companheiro? De volta para o passado?