12.1.12

As testemunhas de Valdivino

E os pássaros vingadores...

Em seus "Contos Tradicionais do Brasil", (Americ-Edit, Rio de Janeiro, 1946, 379), Câmara Cascudo dá forma definitiva a uma das diversas lendas do sertão que ouvira de sua mãe.
_Dizem que um homem chamado Valdivino atravessava um matagal, quando foi assaltado por dois ladrões que tomaram-lhe todo dinheiro que conduzia. Depois, resolveram matá-lo para não serem denunciados.
 Debalde, rogou o assaltado que poupassem sua vida, mas os ladrões riam. Valdivino, erguendo o olhar, viu duas garças que passavam voando. E gritou:
­ Garças, sede as testemunhas de Valdivino!
Os bandidos riram, assassinaram Valdivino e o enterraram.
Anos depois, estavam os dois ladrões conversando numa roda de amigos em cidade próxima, e duas garças sobrevoavam o local. Um deles, distraidamente, exclamou:
­ Lá vão as testemunhas do Valdivino!
Os amigos que sabiam do desaparecimento de Valdivino cercaram os dois ladrões de perguntas e eles acabaram confessando o crime.
Foram presos e condenados.
Essa é uma das milhares de versões mundo à fora de a "Morte de Ibicus", que teria ocorrido em condições semelhantes, seis séculos antes de Cristo.
Ibicus, poeta grego, inventor do Sambuco, instrumento musical, escreveu sete livros de poesias líricas e inspiração erótica, do que restam apenas fragmentos.
Teve vida errante e contam que, em uma dessas suas viagens, rumo a Corinto, já velho, foi atacado por dois bandoleiros.
Os bandidos levaram-no para uma ilha deserta, onde foi morto e roubado.
Antes de morrer, porém, o poeta avistou um bando de aves (grous), ao redor e pediu-lhes que fossem testemunhas e vingadores de seu covarde assassinato.
Os ladrões riram do apelo inusitado e da delegação singular. Mataram, enterraram Ibicus numa praia, e fugiram.
Anos depois, esses ladrões assassinos encontravam-se em um anfiteatro em Corinto, enquanto Grous esvoaçavam-se sobre a platéia.
_Lá se vão as testemunhas e vingadores de Ibicus!, exclamou um dos assassinos.
Ibicus era famoso e respeitado. Seu desaparecimento ainda era um mistério e as pessoas não o haviam esquecido. As palavras do ladrão assassino despertaram a curiosidade. Atinaram que os dizeres irônicos e sarcásticos poderiam estar relacionadas ao sumiço do poeta.
Presos e interrogados, os bandidos confessaram o crime. Foram condenados e mortos. E as aves, testemunhas e vingadores do artista.
Agora, o Brasil todo carece de testemunhas e vingadores. Mal se esquece de um escândalo, um assassinato, um desfalque, um roubo, aparecem outros tantos.
Hoje, bezerras, coelhos, tucanos, perambulam sobre o brilho de uma estrela vermelha...
Mas, testemunhas e vinganças, não passam de lendas...

31.12.11

Onde e quando acordar

Vive le réveillon du jour de l'An !
 
Todos preparam-se para a festa de Ano Novo. Para o Réveillon, galicismo herdado de réveiller que, ao pé da letra, significa “acordar-se”. Faire réveillon traduz-se em ficar acordado” (e "assistir" a chegada do Ano Novo). Galicismo, para quem se esqueceu, é palavra ou expressão imitada ou tomada da língua francesa.
 
Nesta data o que mais aflora são os desejos. Desejo de tudo quanto é matiz, tamanho, forma, cor e em quase todo o planeta. Quase, porque em muitos países esta não é a entrada do ano novo, o que não evita os desejos.
 
E o desejo e a esperança são as principais fontes da decepção e do sofrimento. Mas ninguém para de desejar e nem de manter a esperança. "A última que morre", um castigo de Zeus.
 
Prometeu roubara o fogo dos deuses e entregou-o aos humanos. Com isso, provocou a ira de Zeus, que condenou-o ao castigo eterno. Acorrentou-o a uma rocha, (Montes Urais), onde tinha o fígado comido por um abutre durante o dia, recuperando-se à noite. Foi a pena eterna de Prometeu por ousar desafiar e comparar-se a um deus.
 
Zeus não parou por aí. Criou Pandora, irresistível mulher que enviou à Terra para casar-se com Epimeteu, irmão de Prometeu. A ela, Zeus presenteou com um jarro, com tampa, que continha todos os males do mundo.
 
Pandora e Epimeteu não resistiram, abriram o jarro, liberando todo o seu conteúdo, exceto um item, a esperança. A partir de então, os humanos começaram a sofrer com sua condição de fracos, incompletos e mortais, que só conseguem continuar vivendo e povoando a terra porque há esperança. E essa, para muitos, é o pior dos males, pois, se a esperança é tão boa e útil, o que estaria ela fazendo junto com os males humanos, dentro da mesma caixa?
 
Acredita-se que a esperança é filha da mentira e, por isso, considerada má. Assim, a verdade jamais pode ser ignorada, por mais cruel que seja, e a esperança, não raro, desvia a atenção dos homens, afastando-os da realidade, deixando-os ainda mais fracos.
 
Desejos seriam mendicâncias, alguém preconizou. E, se os desejos fossem cavalos, os mendigos seriam grandes cavaleiros. Mas todos os desejos são cavalos, e os mendigos são cavaleiros. Todos somos cavaleiros. Olhe para seus cavalos! Eles são seus desejos - mendigar, pedir, esperar - desconhecendo que possuímos tudo dentro de nós mesmos, mas sempre nos esquecemos de olhar para dentro.
 
Quando olharmos, todas as riquezas serão reveladas, eternas, abundantes; e não nos fartaremos delas. Quando olharmos para dentro, e com a natureza, reconheceremos quem somos: o filho do Todo.
 
Toda a mendicância desaparece e, pela primeira vez, seremos ricos. Cessando os desejos, abandonamos o futuro e o passado desaparece. É como uma ponte, precisa de dois lados. O passado e o presente são as duas margens e entre as duas constrói-se a ponte dos desejos, sobre um abismo infinito. E esta coisa chamada desejo não tem fundos.
 
E encontramo-nos em dois mundos. O mundo da matéria e o mundo do espírito – e mantemo-nos na fronteira. E hoje é o dia certo, literalmente, para acordarmos.
 
E Viva o Réveillon, num alegre despertar!

27.10.11

Elas comandam as nossas vidas e o destino da humanidade

Apenas 1% das empresas de todo o mundo ditam as regras e governam a economia
Estudo realizado por pesquisadores do Instituto Federal Suíço de Tecnologia, concluiu que apenas 1%, das milhões de empresas existentes em todo o mundo, dominam as redes globais e o poder econômico do planeta, a maioria, instituições financeiras.
Usando cálculos matemáticos e mapeamento de dados sobre a propriedade corporativa, visibilidade, mídia e até slogans mais ouvidos em protestos, a conclusão foi publicada na revista New Scientist e confirma as teorias das manifestações também, praticamente globalizadas.
Das 43 mil empresas transnacionais consideradas mundialmente as mais importantes, apenas 147, em sua maioria bancos, detêm poder desproporcional, exercendo influência direta em diversos acontecimentos globais.
No momento em que protestos alastram-se mundo afora contra o poder financeiro, o estudo pode ratificar o que todos já sabemos. Entre as maiores 43.000 empresas multinacionais apenas um pequeno grupo, sobretudo bancos, arregimentam um enorme poder capaz de promover mudanças bruscas, crises e até guerras em todo o planeta.
Não obstante às esperadas críticas e tentativas de desacreditar o estudo, por razões óbvias, trata-se de um trabalho sem precedentes na tentativa de desembaraçar o controle da economia global ou, no mínimo, alertar a população sobre os arranjos e armadilhas escondidos em meio a essa barafunda que é a economia mundial.
O estudo liderado por três teóricos do Instituto Federal de Tecnologia da Suíça, que arregimentou cientistas de várias áreas, é o primeiro a ir além da ideologia para identificar, empiricamente, a chamada rede do poder que, na prática, domina o mundo controla as tendências, dita as regras, patrocina campanhas, ONGs, políticos, imprensa e idealiza o controle total e absoluto do mundo e das pessoas.
As 50 mais-mais das 147 selecionadas entre milhões de empresas 

* Lehman still existed in the 2007 dataset used
Publicação original –

2.10.11

PROIBIDO FUMAR! Mas ...

... DROGAR, EMBRIAGAR, FORNICAR com o dinheiro público, pode

Somente este ano, no entorno de Brasília, foram registrados 456 assassinatos. A maioria está ligado ao tráfico e uso de drogas alucinógenas, maconha, cocaína, crack etc.. Nenhum registro de crime ou alterações devido ao tabaco comum. Mais de 60% das mortes no Brasíl são causadas pela falta de saneamento básico...


Longe de se defender o tabagismo, os fatos nos mostram a incoerência governamental e nos deixam, a todos, fumantes, ex e não fumantes, desconfiados de que, por traz da avassaladora campanha contra o tabaco, causas ainda maiores, imorais e perigosas, estejam em jogo, sendo as peças, nós, comuns mortais, manipulados e conformados.

Ao mesmo tempo em que se fecha o cerco aos fumantes de cigarros comuns, vê se claramente o incentivo ao consumo de drogas e bebidas, como à cachaça, em Minas, e até mesmo do sexo livre e licencioso, utilizando-se, para tal, o dinheiro público, o mesmo que nos falta para o essencial no dia-a-dia.

ÁLCOOL - A bebida alcoólica, por exemplo, recebe seu estímulo, seja por meio de incentivos fiscais para novas fábricas ou incentivos agrícolas, para o plantio da cana ou de outros insumos essenciais. Existe até mesmo um Programa Oficial para o seu desenvolvimento e expansão, o Pró-Cachaça.

DROGAS ALUCINÓGENAS - Os traficantes de drogas se deliciam diante de tantas Leis benevolentes quanto ao seu consumo, o que facilita, claro, a venda a um contingente cada vez maior de consumidores. Contam, ainda, com o apoio de Presidentes, presidenciáveis, Ministros e trilhardários internacionais, que assinaram documentos em favor da liberação geral das drogas, como o da Carta de São Paulo, rubricada e endossada por entre outros, Fernando Henrique Cardoso, Luis Inácio Lula da Silva, Jose Gregori, ex-ministro da Justiça e o mega-especulador e traficante internacional, George Soros, que tem, como subordinado, entre muitos, o presidente do Banco Central do Brasil.

Não bastassem todos esses fatores, as autoridades competentes(?) ainda distribuem, com o dinheiro do povo, seringas descartáveis, com direito a maciça propaganda incentivadora, para que todos se droguem, mas com total asseio. E até salários para os viciados, como em Minas que beneficia o tráfico em R$ 900,00 por mês via usuários. Em Brasília, a campanha oficial anti-droga é um verdadeiro convite ao seu consumo http://t.co/ffItmZTL

LICENCIOSIDADE - O Sexo licencioso também tem seu incentivo oficial. Para não sair do costume, promove seu festim com o dinheiro público, o mesmo que falta para combater a fome, a seca, as mazelas e a miséria. De tempos em tempos, sobretudo em períodos festivos, carnaval, Férias, feriados, santos ou não, Copa do Mundo, Eleições, Natal, Fim de Ano etc, etc. etc. há farta distribuição de preservativos, com o dinheiro público, claro, todos com direito a sensuais propagandas em horários nobres, mesmo que para tal se constranja, avós, pais e filhos, todos reunidos em uma só sala dos horrores televisivos, irresponsáveis e inconseqüentes, sob a batuta governamental.

DESVIOS SOCIAIS - Frisando, sempre, que o tabaco, de fato, é prejudicial à saúde, não se tem notícia, no entanto, de que o seu uso já tenha causado assassinatos, embriagues, distúrbios, mudanças de comportamento sociais, desvios de conduta e, muito menos, gravidez  indesejável. No entanto, ele, ao que parece, representa uma grande perda, não para os cofres públicos, pois de seu preço final, ao consumidor, mais de 90 por cento são relativos a impostos, mas para interesses escusos, cuja renda, ilegal, pode ser bem mais ágil e eficiente para o jogo do poder.

O Tabaco comum, além de uma grande fonte arrecadadora de tributos, representa, também, emprego, tanto na zona rural, com o plantio, quanto nas áreas urbanas, nas fábricas e administração. Tem ainda os empregos indiretos, vendedores, revendedores e transporte, para citar apenas alguns. Todos grandes arrecadadores de tributos. Calcula-se que 12 milhões de postos de trabalho são gerados pelo setor.

PREOCUPAÇÃO COM A SAÚDE? Bom, certamente, o que se conclui é que as autoridades estão preocupadas com a saúde da população, mesmo que, para tanto, apelem para o terrorismo, agora estampado nos maços de cigarro. A saúde em primeiro lugar. Mas como acreditar nesta hipótese diante de tanta incoerência e descaso para com o bem estar da grande maioria da população, fumante ou não? Como explicar o desprezo para com os hospitais, a falta de assistência, a carência alimentícia, o desemprego recorde a insegurança e a violência generalizada, falta de saneamento, responsável por mais de 60% das mortes no País?

INCENTIVO AO CONTRABANDO - Como entender que as grandes fábricas de cigarros aceitem, com tanta passividade, a invasão de cigarros importados, encontrados em todos os cantos e recantos do País, mesmo que, teoricamente, sejam as mais prejudicadas? Como entender que não haja fiscalização contra esse fumo paraguaio, que concorre tão deslealmente com os fabricantes locais?

Esses cigarros importados via contrabando estão livres tanto de impostos, quanto das sinistras regras estabelecidas para o produto nacional, completada, agora, com assustadoras imagens de moribundos, vítimas do cigarro.

Como para nada disso existam explicações, plausíveis ou não, o que nos resta é o exercício da imaginação. Imaginar, por exemplo, que tabaco paga impostos, e altos, mas não deforma o comportamento social da pessoa, portanto não a torna servil, submissa, não alucina nem arrebata. Não provoca distúrbios mentais.

DEPENDÊNCIA PSÍQUICA, MANIPULAÇÃO FACILITADA - Ao contrário, o álcool e os alucinógenos, maconha, cocaína e tudo o mais, deixam o viciado dependente, não apenas de seus efeitos, mas capaz de qualquer coisa para satisfazer sua ânsia. Assim, torna-se facilmente manipulável. O mesmo se diz do álcool, a maior causa da violência mundana no País. Mesmo assim, são vistos com benevolência e com incentivos oficiais.

BICHO PAPÃO - O sexo pelo sexo, barato, desregrado, libertino e libidinoso, ajuda a destruir os valores indispensáveis a uma sociedade organizada. A lascívia, antes de um prazer individual, é caminho para o desmanche da família, dos costumes e da sociedade, caminho mais curto à desordem, ao caos, ao encontro do bicho papão, até que cheguem os heróis, salvadores, para instalarem o poder absoluto e, com ele, o domínio total e irrestrito do mundo e é isso justamente o que querem os pais da diabólica trama.

VÍCIOS ISENTOS - Há de se desconfiar, ainda, e até mesmo conjeturar, de que, por traz de tudo esteja o fato de que, não obstante a alta arrecadação proporcionada pelos cigarros, é uma renda oficial, portanto difícil de ser desviada para outros fins, como, por exemplo, para o lobby, campanhas políticas, manipulação, propaganda, corrupção etc.. Para os fabricantes, são muitos impostos, muitas taxas, muitas perseguições. Faturar via contrabando e em outras frentes, livres de impostos e sob o olhar complacente do Governo é, sem dúvida, muito mais rentável, seguro e conta com a simpatia da população, como sempre desavisada e inocente.
(Artigo publicado originalmente em 23/02/2002).

MAIS SOBRE O ASSUNTO:

23.9.11

Primavera, não há jardim para recebê-la...

Prima Mendaciu ou Prima vera?
Com duração prevista de 89 dias, 20 horas e 25 minutos, hoje, 23 de setembro de 2011, às 06 horas e 15 minutos, nasceu, durante o Equinócio, a Primavera, segundos depois do adeus do Inverno, para terminar três dias antes do Natal, nos Solstício de dezembro. 

Prima Vera, do latim primo vere, começo do verão; ao pé da letra, primeira verdade. Na prática, prima mendaciu, primeira mentira, sobretudo para nós, brasileiros, cujas estações, nos últimos anos, em pouco ou nada se diferem.

Equinóscio é o dia em que o sol encontra-se sobre a linha do equador, no centro de sua trajetória Norte – Sul.  É quando o dia e noite têm a mesma duração para, a cada 24 horas, ir aumentando e a noite encurtando.

Para os latinos, aequinoctium, de Equinox , do adjetivo Aequus (igual), como em equilátero (dois lados iguais) e em equidistante (igual distância);  nox, noctis (noite).

No Brasil, porém, quatro estações, hoje, são uma só ou, como se diz no Nordeste, chuva e estio. E nada mais. Foi-se a época em que elas inspiravam poetas, amantes e seresteiros, como o Outono,

de Nat King Cole:...

Desde que você foi embora os dias ficaram longos
E em breve eu ouvirei velhas canções de inverno

Mas eu sinto mais saudade de você, minha querida,
Quando as folhas de outono começam a cair.
...ou a Primavera de Tim Maia...
Hoje o céu está tão lindo
Quando o inverno chegar
Eu quero estar junto a ti
Pode o outono voltar
Eu quero estar junto a ti
Eu, é primavera...
...de Olavo Bilac...
A alma da terra gorjeava e ria...
Nascia a primavera... E eu te levava,
Primavera de carne, pelo braço!
...de Mário Quintana,
Brotam brotinhos na tarde feita
Só de suspiros:
O amor é um vírus...

O fato ´é que foram-se os tempos, os poetas, os trovadores e foram-se as estações. Por mudanças naturais, por agressões à natureza, pelo nosso afastamento, pela ganância, pelo ter antes do ser, por distração, pelo tudo e pelo nada, ninguém lembra-se mais ou pouco se importa com esses detalhes.

E tanto faz ser inverno ou primavera. Vivemos numa só estação, a da mendaciu, grande mentira.  Mas, teimosa,  ela chega, como garante  Cecília Meireles

A primavera chegará, mesmo que ninguém mais saiba seu nome, nem acredite no calendário, nem possua jardim para recebê-la.

4.9.11

Brasil, a ignorância é seu verdugo

Governantes medíocres e a panacéia dos horrores. Drogas, no DF; omissão em MG; impunidade, no RJ; crimes oficiais em SP

No Rio de Janeiro, do governador Sérgio Cabral, 96% dos homicídios não são solucionados e vão para o arquivo; em Minas Gerais, o governador Antônio Anastasia autorizou a Polícia Militar a liberar criminosos detidos em flagrantes, caso o delito imponha pena inferior a 4 anos de reclusão; em São Paulo, do governador Geraldo Alckmin, de cada 5 assassinatos, 1 é de autoria de policiais militares; em Brasília, o governador Agnelo Queiroz, autorizou campanha implícita pró-droga alucinógenas e ainda distribui seringas e cachimbos para os viciados da cidade.


A incompetência, a negligência, a irresponsabilidade, a incapacidade, a covardia, a falta de visão, a falta de planejamento, o despreparo desses e da maioria absoluta dos governantes são sintetizados em suas únicas preocupações: a próxima eleição e o inflar do embornal.

Nos tratam como imbecis, e nós aplaudimos e pagamos por isso. O caos a que teimam em nos conduzir não é por acaso. É pensado, estudado, planejado e o objetivo é a desordem total até que a população, aterrorizada, clame pelo herói salvador...

A cada momento, novos e terríveis horrores, atrocidades, calamidades, barbaridades, violências, catástrofes e as pessoas aterrorizadas, com sentimento de fraqueza, indefesa...

Essa é a primeira parte, a segunda, um herói para salvá-las, usando o cassete da tirania, o que tem sido preparado pelos igualmente de araque, legisladores do Brasil. Tudo corroborado, incentivado e apoiado pela imprensa servil e omissa. Em resumo, como diria H. L. Mencken, primeiro, engane, e, depois, engane de novo.

Há de existir uma explicação plausível para se combater tão firmemente a indústria legal, com produtos enraizados culturalmente, e defender com tanta ênfase a droga alucinógena, ilegal, cujo legado é a decadência moral, física, mental.

Estivessem esses enganadores preocupados com o bem estar da Nação, o Brasil não seria o país mais violento do mundo; não seria o mais corrupto do mundo; não teria a maior carga tributária do mundo; não seria o país mais desigual do mundo; não teria 65% de suas doenças fatais causadas pela falta de saneamento; não seria o paraíso da impunidade e, claro, jamais teria tais mediocridades fantasiadas de governantes.

Abaixo, imagens da pseudo campanha antidroga do governo Agnelo Queiroz, do Distrito Federal, em comparação às campanhas antifumo e antialcool.

Em contraste às outras, a campanha mostra gente bonita, sorridente, praticando esportes. Um verdadeiro convite às drogas alucinógenas. Observe que a campanha coincide com a distribuição, gratuita, de apetrechos para o consumo de alucinógenos. Tudo, claro, pago com o nosso dinheiro, o idiota contribuinte.

Campanha que, mais que implicitamente, não refreia, mas reforça, explicitamente, o desejo pelo efeito das drogas.

E o omisso rebanho humano mantém se pronto a oferecer a lã aos pastores...
COMPARE ALGUMAS PEÇAS DAS CAMPANHAS ANTIDROGA, BEBIDA E CIGARRO

Mais sobre o assunto:

30.6.11

Legislativo brasileiro: ‘refúgio de canalhas’


Se uma coisa morta só pode seguir a correnteza, somente uma coisa viva pode contrariá-la, medíocres governantes, mas astutos em espertezas, aproveitam-se disso e criam avalanche de leis esdrúxulas e proibitivas cerceando as liberdades individuais por todo o País.

Fornecer joguinhos, tipo baralho, para os nossos legisladores. Essa é uma idéia viável para que, no lugar de ficarem inventando leis e cerceando nossas liberdades individuais, possam, entre um golpe e outro, uma falcatrua aqui e ali, passar o tempo jogando burro em pé, burro deitado, fedor e correlatos e parar de apoquentar o cidadão com regras esdrúxulas, dignas de quem não tem, não sabe, não quer nada com o sério e com o útil.

É o caso da deputada distrital em Brasília, Liliane Roriz (PRTB) e o seu projeto para proibir o Narguilé, uma cultura milenar utilizado em países do Oriente Médio, Ásia e, por tradições dessas regiões, em pouquíssimos restaurantes no Brasil. Aliás, o que mais se vê País afora são projetos de leis proibindo alguma coisa.

Em francês narguilé, ou em persa narguileh, é um cachimbo de água utilizado para fumar tabaco comum. Teria surgido na Pérsia e na Mesopotâmia, sobretudo para acompanhar o café e a prosa. Seu nome nasceu a partir dos primeiros aparelhos feitos com madeira e coco, onde ficava a água. Coco, em árabe, é Narguil, que originou o nome. Chegou ao Brasil junto a outras especiarias, como canela e cravo.  

Abarrotadas de imbecis e transbordando em escândalos, nas assembléias legislativas, a maioria de seus ocupantes não tem moral para determinar o que devemos ou não fazer. No entanto, a passividade geral aceita amuada e dispersa uma enxurrada de proibições que pipocam diariamente por todo o País onde a democracia é ditada e praticada pela pecúnia, não pelas idéias.

A moda é proibir. Seguir o fluxo e tentar transformar as pessoas em algo amorfo, sem vontade, sem iniciativa, sabendo que uma coisa morta pode seguir a correnteza, mas somente uma coisa viva pode contrariá-la. E enquanto dispersam as atenções com suas parvoíces eternizam-se em logros, fraudes, chantagens, velhacaria e negociatas com o dinheiro público.

O colega de Liliane Roriz na Câmara Distrital do DF, Cristiano Araujo (PTB), defende com unhas e dentes seu Projeto que obriga os restaurantes, bares e similares do Distrito Federal a imprimir, no rodapé dos cardápios, a expressão “Se beber não dirija”. Mais despesas inócuas criadas por quem não tem nada melhor para fazer. Aliás, o dito deputado já foi pego em flagrante, dirigindo embriagado. Livrou-se apelando para o comando da PM-DF.

Envolvido no escândalo conhecido como Caixa de Pandora, outro distrital, Benedito Domingos (PP), aprovou projeto que torna obrigatório o saco plástico para lixo no interior de todos os veículos do Distrito Federal.

E seguem criando dificuldades e vendendo facilidades. A população esquece-se de que o direito tirado nunca mais retorna. Isso foi dito há mais de três séculos pelo filósofo e pensador, Jean Jaques Rousseau. E estamos todos quietos deixando que esses aventureiros nos arranquem os direitos e as liberdades.

E eles, do poder, não querem ser contrariados. Querem chafurdar livremente, sem serem incomodados, crédulos de que, apenas pelo fato de temporariamente legislarem e por conhecerem um código de leis, são obrigados a se comportarem como um juiz, mesmo estando lá não pelas idéias, mas pelo poder, conquistado com o dinheiro, não pelo discurso convincente.

E nos alerta o filósofo: "Se a liberdade e a igualdade são essenciais à democracia só podem existir em sua plenitude se todos os cidadãos gozarem da mais perfeita igualdade política." - Aristóteles - Política (Livro IV, cap. IV. E isso não existe e nem acontece no Brasil.
Refúgio de canalhas
As câmaras legislativas são “refúgio decanalhas”, sintetizou o ex-embaixador dos Estados no Brasil, John Danilovich, ao referir-se à Câmara Distrital de Brasília em relatório publicado pelo Wikileaks.

O Embaixador estadunidense disse ainda que os eleitores de Brasília têm memória curta, reelegendo “criminosos”, além de envolvidos em corrupção, destacando a baixa qualidade dos trabalhos na Câmara Legislativa. Cita grande quantidade de leis inconstitucionais e fala de forma irônica sobre debates que despertaram a atenção de distritais durante meses, como a criação de banheiros para homossexuais e a implantação de uma lagoa de pesca para desempregados buscarem o jantar. Também detalha o debate sobre o animal símbolo da capital. O lobo-guará foi escolhido depois que o pirá-brasília foi descartado em virtude de tratar-se de um animal hermafrodita.
E assim vai, entre um escândalo e outro; entre uma imbecilidade e outra; entre trapaças e aberrações, projetos esdrúxulos e trapalhadas mil, o Legislativo distancia-se cada vez mais do seu papel. Nele, acontece de tudo, menos o cumprimento da missão fiscalizadora. Hora alia-se peremptoriamente ao Executivo em negociatas, hora chantageia por favores pecuniários. O fim é sempre o mesmo. Ganhar dinheiro fácil e o uso do poder para lucupletações.

Que se assuma o poder das idéias, não as idéias do poder

Milton Campos, político mineiro de primeira linha, foi deputado, senador e governador. Homem de princípios, idéias e ideais, dizia que é preciso que se assuma o poder das idéias, não as idéias do poder. Alertava-nos sobre o vale-tudo na luta em que se vigora o poder pelo poder, não para por em prática idéias realmente profundas e capazes de revolucionar a forma de governar, mas na disputa pelo poder, pelo poder, simplesmente. Não por causas nobres, mas para se ter as rédeas, o comando, as vantagens e delas locupletarem-se.
O poder e suas benesses
De eleição em eleição, sempre aparecem pela mesma disputa e na bagagem, os escândalos. Certos candidatos continuam os mesmos, se não piores, obcecados pela idéia do poder, sem o mínimo interesse no poder das idéias. Cada vez mais ricos em espertezas, cada vez mais miseráveis de justos e sinceros ideais.

A maior parte da liberdade moderna tem sua raiz no medo. Não é que somos tão corajosos para nos submeter às leis; é que, ao contrário, somos muito tímidos para nos submeter às responsabilidades e lutar em defesa de nossos direitos e contra os medíocres governantes, mas astutos em espertezas.

28.6.11

Possível excrescência corniforme não muda FHC

Só não teme emboscadas quem sabe armá-las
Embora com muita discrição, a notícia de que não é de Fernando Henrique Cardoso, O Entreguista, o filho da jornalista Miriam Dutra, da TV Globo, com quem o ex-presidente manteve relacionamento. A informação foi comprovada após testes de DNA realizados em São Paulo e em Nova York, darem negativo, segundo informações da revista ‘Veja’.

O escândalo, entre aspas - ninguém deu a mínima para isso - aconteceu no tempo em que Ruth Cardoso, esposa, ainda era viva. De toda maneira, FHC, O Fraco, enfrentou as responsabilidades e cumpriu o seu papel. Reconheceu o filho em 2009, em um cartório na Espanha. Apesar de não assumido legalmente antes, FHC ajudava a jornalista na criação do jovem e sempre encontrava-se com ele em suas viagens a Europa, onde ele morava com a mãe.

Tudo bem ao contrário de José Alencar, morto no início ano, que, mesmo tendo sido comprovado ser o pai de Rosemary de Morais, fruto de relacionamento do vice-presidente há 55 anos, negou-se a assumir, levando para o além a sua responsabilidade e deixando, como legado, uma interminável disputal judicial com os herdeiros reconhecidos.

Mesmo diante da evidencia da excrescência corniforme, o ex-presidente FHC, O Caviloso, a princípio, disse que irá manter seus contatos e as responsabilidades de pai do rapaz, hoje com 16 anos.

Nescio quid agitat, cum bonum imitatur malus. A frase em latim alerta que é aconselhável redobrar a vigilância quando o mau imita o bom. Portanto, pode ser que tudo não passe de mais uma demagogia hipócrita.

Entreguista, traidor e defensor de drogas alucinógenas, é capaz de tudo, até mesmo imitar o bom, menos, praticar o bem, pois Ni qui scit facere, insidias nescit metuere. Só não teme emboscadas quem sabe armá-las.

E ainda pior, em Roma antiga, o adultério não era crime e não chegava a ser vergonha para o traído. O que pesava era o fato de, no caso do homem, ficar desmoralizado no tocante à capacidade de cuidar do que é seu. Se não dava conta de administrar o lar, o que pensar, então, de uma Nação? E ele o fez por oito intermináveis anos, permitindo e ajudando despudoradamente na sodomização do Brasil.

27.6.11

Legislativo - Meio promíscuo, ambiente venal

Mais um exemplo de leis como negócio

Despreparados, sem compromisso com a Nação, venais, néscios. Comerciantes da fé pública. Esse poderia ser uma parte do retrato de nossos legisladores que em sua maioria utilizam-se do poder como modus operandi de leis para a pecúnia pessoal e grupal. Quando não criando dificuldades para vender facilidades, bonecos de engonço da especulação econômica em nome da democracia, da liberdade, do ambiente. Uma poluição sem fim de imbecilidade, de negociatas, sem-vergonhices escandalosas.

O Prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, poderá ou não, nos próximos dias, sancionar mais uma aberração, para variar, em nome do ambientalismo. O ecoexagero interesseiro, mentiroso, sem limite.

O vereador Antonio Goulart (PMDB) é o autor da Lei Municipal que obriga todas as construções da cidade a pintar o telhado de branco. O Edil afirma que baseou seu projeto na campanha One Degree Less (Um Grau a Menos, em inglês), divulgada pela organização não governamental GBC Brasil. A entidade afirma que os telhados brancos reduzem os efeitos do aquecimento global e o consumo de energia.

A paranóia ambiental disseminada pela elite econômica mundial, com fins claros, específicos, e que não envolvem qualidade de vida, mas o domínio dos povos, ataca por todos os flancos. O meio mais comum são as ONGs ambientalistas patrocinadas igualmente pelo Establishment mundial, utilizando-se, sobretudo, de inocentes úteis e, em muitas situações, mais úteis do que inocentes, como parece ser o caso da Lei do Telhado Branco.

Ocorre que, descaradamente, deslavadamente, desavergonhada- mente, despudoradamente, a campanha que levou o vereador a apresentar o projeto e conseguir o apoio dos colegas de Câmara, tem o patrocínio de fabricantes mundiais do produto, como Sherwin Williams e Dow Chemical. Logicamente, os maiores interessados.

A picaretagem oficial vai custar aos cidadãos contribuintes, que elegem patifes assim, a bagatela de R$ 380 milhões, isso sem contar a mão-de-obra, as telhas quebradas, a especulação, e tudo o mais que envolve uma ação dessa magnitude.

A imbecilidade pública tem o apoio de medíocres famosos. Cantores, entre eles. Cantam como um jacu, por instinto, não por conhecimento, sapiência, bom senso ou por louvor ao bem. Não com a alma, mas com o bolso.

11.6.11

Quilombolas camaleões


A injustiça atrai a injustiça, a violência gera a violência (Henri Lacordaire)

A aberração denominada Constituição de 88, aprovada por desassisados legisladores, entre tantos desatinos estabeleceu direitos especiais para pseudos quilombolas. Quilombolas é o nome que se dá aos escravos refugiados em quilombos, ou de descendentes de escravos negros fugitivos, que se estabeleceram em comunidades chamadas quilombos. Hoje, são milhares as comunidades ditas quilombolas que reivindicam direito de propriedade de terras Brasil afora por causa das antigas aldeias.

O mais famoso desses quilombos, o de Palmares, tornou-se notório quando comandado por Zumbi, Rei dos Palmares. Reunia cerca de 30 mil pessoas. Sua área aproximava-se à de Portugal e situava-se no interior da Bahia, hoje estado de Alagoas.

Embora cantado, decantado, estabelecido como herói magnânimo, idealista, nobre e altruísta, historiadores contestam essas qualidades, todos esses atributos e suposto heroísmo.

"Os escravos que se recusavam a fugir das fazendas e ir para os quilombos eram capturados e convertidos em cativos dos quilombos. A luta de Palmares não era contra a iniquidade desumanizadora da escravidão. Era apenas recusa da escravidão própria, mas não da escravidão alheia.[...]".

Outro historiador sério, José Murilo de Carvalho, em "Cidadania no Brasil" (pag 48), "os quilombos mantinham relações com a sociedade que os cercavam, e esta sociedade era escravista. No próprio quilombo dos Palmares havia escravos. Não existiam linhas geográficas separando a escravidão da liberdade".

"Depois de feitas as pazes em 1678, os negros mataram o rei Ganga-Zumba, envenenando-o, e Zumbi assumiu o governo e o comando-em-chefe do Quilombo.”.

O despotismo teria sido uma das marcas do “rei” Zumbi, sustenta respeitáveis historiadores: "Se algum escravo fugia dos Palmares, eram enviados negros no seu encalço e, se capturado, era executado pela ‘severa justiça’ do quilombo.”.

Mesmo assim, desde a sinistra constituição de 1988, a farra das indenizações abundam, aos montes, Brasil afora, Ao seu favor, o desconhecimento, a esperteza, o desinteresse pela coisa pública, e ainda o apoio da imprensa, que há muito esqueceu-se de seu papel questionador, limitando-se a abraçar as causas interesseiras.

Interesseiras como o de incitar a cizânia, fomentando uma guerra racial com o respaldo, o incentivo e o patrocínio governamental. Um estímulo à radicalização encontra-se no Decreto de número 4.887, de 20 de novembro de 2003, assinado pelo então presidente Lula. Garante aos que se dizem remanescentes quilombolas o título definitivo de propriedade de terra, bastando a autodefinição para tal. No vale tudo, milhares de camaleões que adaptam a cor da pele de acordo as conveniências.

Diante da aberração oficial, multiplicam-se em todo o País as invasões por supostos descendentes de quilombolas que, apenas se apresentando descendente já é reconhecido legalmente dessa forma. No Rio de Janeiro, um grupo tentou tomar posse de uma área de proteção ambiental, há décadas sob os cuidados da Marinha do Brasil. 

Para muitos especialistas no assunto, como o jornalista escritor Nelson Nunes Barreto, autor do livro A RevoluçãoQuilombola, o confisco de terras, mesmo as produtivas, a radicalização que promoveu com o Decreto, é um sinal claro de que a pretensão é promover a guerra racial no Brasil.

O conceito de quilombolas autodefinidos, além de desfechar um terrível golpe contra o já moribundo direito de propriedade, agita o Brasil de Norte a Sul, em conflitos raciais que põem em risco a paz em nossos campos e cidades. Se a revolução quilombola avançar, pode-se temer uma catástrofe de grandes proporções sociais e econômicas para o País, alerta o jornalista.

E isso não é difícil de constatar ou prever. Desde os fatídicos anos de Fernando Henrique Cardoso o Brasil promove leis separatistas, de apartheid, segregacionistas, privilegiando classes, acordo com a cor da pele, isso num País de miscigenação ímpar em todo o mundo.

Como em todas as ações de favorecimento, também nesse caso o decreto presidencial extrapola, radicaliza e cria “aberrante conceito de atribuição de terras desconhecido no direito dos países civilizados”. frisa Barretto.

29.5.11

Legisladores usam projetos como negócio e Le Monde aponta "Os números que dão vertigens"

Câmara dos Deputados tem 30 mil Projetos de Lei
não votados e 975 emendas engavetadas

Meses atrás reservei um final de semana para percorrer todos os 56 legislativos dos estados, capitais e Distrito Federal, Senado e Câmara dos Deputados. Pesquisei projetos de leis (PLs) referentes apenas a bebidas não alcoólicas, refrigerantes, sucos, água mineral, energético etc.. Encontrei 487. Todos, de certa maneira, representando exigências, gerando gastos extras para os fabricantes e, evidentemente, produto mais caro para o consumidor. Tudo isso sem contar os demais 5 mil e tantas famigeradas câmaras de vereadores.

Os farristas do legislativo são exímios criadores de leis. Sem senso, mas excelentes economistas nas causas próprias, utilizam-se desse expediente como moeda de troca.Assim como fazem com o Executivo, por meio de chantagens e dificultando a aprovação de propostas, com os PLs criam dificuldades para vender facilidades na iniciativa privada.

No último dia 25, o jornal francês Le Monde, sob o título "Des chiffres à donner le tournis" que traduz-se em Números que dão vertigens, publicou um resumo sobre as quantas anda o Brasil de verdade, mas de quem pouco se fala. A reportagem contou 30 mil projetos e propostas legislativas pendentes no Congresso, com seus 513 deputados e 81 senadores. Projeta que menos de um em cada dez desses projetos será, um dia, votado.

Não observou o jornal que tratam-se de projetos para negociatas. Somente irão a Plenário se não surtirem efeitos nas negociações com os envolvidos, atingidos, interessados, direta ou indiretamente. São moedas, Letra de Câmbio, notas promissórias para barganha.

Contabiliza-se, ainda, 975 emendas constitucionais que não foram, sequer, apreciadas. Jazem em alguma gaveta até que suas ações se valorizem, ou em algum momento sejam oportunas para interesse grupal, pessoal, econômico, sobretudo. A mais antiga desses chamados PEC – Proposta de Emenda Constitucional - tem 16 anos de idade. 

Neste domingo, 28 de maio de 2011, o jornal Correio Brazilense, de Brasília, reporta que nos primeiros 120 dias do ano os deputados, no DF cognominados Distritais, reuniram-se por 16 sessões e, na metade, faltou quórum. Nas demais, foram apreciadas moções, vetos e requerimentos. Os projetos ficaram de lado.

A primeira sessão do Legislativo do DF começou em fevereiro com a aprovação e pagamento do 14º salário e a programação do pagamento do 15º em dezembro. Com salário mensal de R$ 20 mil, os ilustres parlamentares têm, ainda, direito a inúmeros penduricalhos e isenções que, no milagre da multiplicação, mais que triplicam esses valores. No restante do País não é diferente. Em Minas, o Orçamento da Assembléia Legislativa, que não produz absolutamente nada de útil, é superior ao do município de Contagem, com 500 mil habitantes, na Região Metropolitana de Belo Horizonte e abarrotado de tudo quanto é tipo de problemas e carências.

O jornal francês lembra ainda a ascensão do Executivo sobre os demais poderes, ressaltando as fatídicas MPs, as medidas provisórias que fazem do Presidente da República o legislador de fato.

“O Congresso tem um talento único para não decidir. Porque ele é dividido, desintegrado em uma seqüência de interesses escusos e farras, sufocada pela burocracia, sujeitos ao clientelismo e expostos às pressões da presidência. Resultado, cabe, especialmente ao Executivo, legislar. A Constituição autoriza o chefe de Estado a tomar "medidas provisórias" há 20 anos: em média, uma MP por semana.”.O que quer dizer, fazer gato e sapato dos legisladores e chacota da população que elege e sustenta a todos.

Essas MPs também são lucrativas fontes de negociatas. A famigerada pauta trancada, nada mais é do que a cópia da chave do cofre para o esbanjamento e o desvio do dinheiro público. O mesmo que falta para os setores essenciais.

Enquanto não fazem nada sério, ou se o fazem são com outras intenções mais rendosas, os legisladores azucrinam a vida dos brasileiros que os sustentam, quando não com projetos esdrúxulos e vergonhosos, com leis que restringem, travam e agridem as liberdades individuais.

Pondo de lado problemas crônicos como a violência, a impunidade, a falta de infraestrutura, de estradas, de saneamento básico, a corrupção, ministros que defendem drogas e pornografia nas escolas, o Le Monde enumera uma série de comparações que colocam o Brasil como o campeão de impostos e de carestia em todo o mundo.

Diz por exemplo, sem citar os combustíveis, que o bilhete de metrô em Brasília é seis vezes o valor da passagem em Buenos Aires; Automóveis, vestuário, calçado, medicamentos, brinquedos, perfumes, alimentos e uma enorme lista de bens e serviços são muito mais caros no Brasil do que no exterior. 

Um Big Mac custa, no Brasil, bem mais do que na Europa e nos EEUU. Um croissant num bar custa cinco vezes mais do que em Paris, e uma caixa de aspirina custa o dobro; uma pizza em Londres é metade do preço cobrado em Brasília. Um filme custa duas vezes mais do que em Buenos Aires. E, entre centenas de exemplos, um carro japonês, no Brasil, é duas vezes e meia mais caro do que nos EEUU.

E enquanto o povo se esborracha e se endivida, os legisladores fazem farra com o dinheiro público, se locupletam com o nosso suor e usam as prerrogativas do poder para um jogo monetário, onde ficam com o bônus e a Nação com o ônus. Um verdadeiro projeto caracu.